IRS e IRC
Uma empresa tem um valor para gastar contigo. Contrato por conta de outrem, recibos verdes ou sociedade unipessoal: cada caminho paga impostos e Segurança Social de maneira diferente. Escreve o valor e vê quanto chega a ti em cada um - e a partir de que montante compensa abrir empresa.
"passa a recibos que ganhas mais" - depende de quem paga a Segurança Social. Faz as contas antes.
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estimativa: sem dependentes, sem deduções à coleta, sem subsídio de alimentação, IRC do continente (Madeira e Açores têm taxas mais baixas). Para decidir a sério, um contabilista certificado.
Trabalhador vs empresa é a comparação, para o mesmo custo de quem paga, entre as três formas de trabalhar em Portugal: contrato por conta de outrem (categoria A), recibos verdes (categoria B) e sociedade unipessoal por quotas (IRC, salário de gerente e dividendos). Se uma empresa gasta 3 000 € por mês contigo (36 000 €/ano), em 2026 ficas com cerca de 1768 €/mês num contrato por conta de outrem (salário bruto de 2078 € × 14), 2108 €/mês a recibos verdes e 1847 €/mês numa sociedade unipessoal com salário de gerente de 1 000 € e o resto em dividendos. A diferença vem sobretudo de quem paga a Segurança Social: no contrato são 34,75 % (11 % + 23,75 %); a recibos verdes, 21,4 % sobre 70 %.
| Regime | Segurança Social | IRS (+ IRC) | Fica contigo / ano | Por mês |
|---|---|---|---|---|
| Contrato (bruto 2078 € × 14) | 3200 € (+ 6909 € da empresa) | 4678 € | 21 213 € | 1768 € |
| Recibos verdes | 5393 € | 5306 € | 25 301 € | 2108 € |
| Unipessoal (gerente 1 000 €/mês) | 4170 € | 7621 € (IRS + IRC + 28 %) | 22 169 € | 1847 € |
A unipessoal só começa a compensar a partir de cerca de 105 500 € de custo anual, e mesmo aí a diferença tem de pagar o contabilista, a burocracia e o risco. Abaixo disso, os recibos verdes ficam com mais. O contrato fica com menos dinheiro no bolso mas traz férias pagas, subsídio de desemprego, baixa e indemnização por despedimento - que valem dinheiro que aqui não está.
O ponto de partida é o custo para a empresa, não o salário bruto: é o que a empresa está de facto disposta a gastar, e é o único número igual nos três cenários. Se sabes o teu bruto, o custo é bruto × 14 × 1,2375; se sabes o que faturas, o custo é a faturação (o IVA é neutro para uma empresa).
Contrato (CIRS art. 25.º; CRC art. 53.º). Bruto anual = custo ÷ 1,2375. Segurança Social do trabalhador 11 %. IRS sobre o bruto menos a dedução específica (4 104 € ou as contribuições, se maiores), com os escalões de 2026 e o mínimo de existência.
Recibos verdes (CIRS art. 31.º; CRC art. 162.º–168.º). Faturação = custo. Segurança Social 21,4 % sobre 70 % (mínimo 20 €/mês, base máxima 12 × IAS). IRS sobre 75 % da faturação (regime simplificado, 3.º ano ou seguinte), com a obrigação de justificar 15 % acima de 27 360 €. A conta completa está no simulador de recibos verdes.
Sociedade unipessoal (CIRC art. 87.º; CRC art. 61.º–69.º; CIRS art. 71.º). A empresa fatura o custo, paga-te um salário de gerente com Segurança Social a 34,75 % (11 % tua + 23,75 % da empresa, sobre uma base nunca inferior ao IAS), paga o contabilista e os outros custos. Ao lucro aplica-se IRC de 15 % até 50 000 € e 19 % acima (PME, 2026), mais a derrama municipal. O que sobra sai como dividendos com 28 % de retenção. O teu líquido é o salário líquido (SS 11 % + IRS de categoria A) mais os dividendos líquidos.
o que fica de fora: subsídio de alimentação, dependentes e deduções à coleta, englobamento dos dividendos (50 %), tributações autónomas, regime simplificado de IRC, taxas da Madeira e dos Açores, e o valor do subsídio de desemprego e das férias - que é real, mas não é um número.
Para o mesmo custo da empresa, os recibos verdes deixam mais dinheiro no bolso: a Segurança Social é 21,4 % sobre 70 % da faturação (cerca de 15 %) contra 34,75 % no contrato (11 % + 23,75 %). Em troca, o contrato traz 22 dias de férias pagos, subsídios de férias e de Natal, subsídio de desemprego, baixa por doença desde o 4.º dia e indemnização por despedimento. Se a empresa te oferecer o mesmo valor bruto nos dois casos, o contrato quase sempre compensa.
Com salário de gerente de 1 000 €/mês, contabilista a 120 €/mês e distribuição total de dividendos, a unipessoal só ultrapassa os recibos verdes a partir de cerca de 105 500 € de faturação anual (2026). Abaixo disso, o IRC mais os 28 % dos dividendos mais a Segurança Social do gerente pesam mais do que os 21,4 % × 70 % dos recibos verdes.
34,75 % sobre a remuneração: 11 % descontados ao gerente e 23,75 % pagos pela empresa. A base de incidência nunca é inferior ao IAS (537,13 € em 2026), mesmo que o gerente não receba salário - salvo se estiver isento por acumular outra atividade com contribuições.
19 % de taxa geral no continente. As PME e empresas de pequena-média capitalização pagam 15 % sobre os primeiros 50 000 € de matéria coletável e 19 % sobre o resto. Acresce a derrama municipal até 1,5 % (muitos municípios isentam empresas com faturação até 150 000 €). Madeira e Açores têm taxas reduzidas.
Retenção na fonte de 28 % (taxa liberatória, CIRS art. 71.º). Podes optar pelo englobamento: nesse caso só 50 % dos dividendos entram no IRS (CIRS art. 40.º-A), o que compensa quando a tua taxa marginal fica abaixo de 56 %. Este simulador usa os 28 %.
Sim. Como gerente podes ficar isento de contribuições pela gerência se já descontares por conta de outrem com base igual ou superior ao IAS. Os rendimentos somam-se todos no IRS. Confirma o enquadramento com a Segurança Social e com um contabilista.
Contabilista certificado (tipicamente 80 € a 200 €/mês), registo e constituição (cerca de 360 € na Empresa na Hora), conta bancária empresarial, seguro de acidentes de trabalho do gerente, e a Segurança Social mínima do gerente (34,75 % × IAS ≈ 187 €/mês) mesmo sem lucro. Deixámos os custos editáveis na ficha.
Subsídio de alimentação isento (6,15 € ou 10,46 €/dia), dependentes e deduções à coleta, o valor do subsídio de desemprego, das férias e da baixa, tributações autónomas (viatura, refeições), o regime simplificado de IRC e as taxas regionais. São diferenças reais - em geral favorecem o contrato - mas não cabem num número.