÷ SWR
Escreve o que gastas, o que ganhas e o que já tens investido. A folha diz-te o valor FIRE (as despesas que queres ter, divididas pela taxa de levantamento), o Coast FIRE, quantos anos de despesas já tens cobertos, o que sobra se liquidasses tudo hoje com os 28 % de mais-valias - e a data em que chegas lá, mês a mês. Guarda o registo no teu browser e vê a linha subir.
FIRE não é deixar de trabalhar. É o dia em que trabalhar passa a ser opcional. Este é o número desse dia.
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| Mês | Total | Investido | Mais-valias | ETFs | Ações | PPR | P2P | Cripto | À ordem | |
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| Ainda sem registos. Preenche a carteira e carrega em "Guardar este mês". | ||||||||||
estimativa: retorno constante, inflação fora (usa despesas de hoje e um retorno real), sem englobamento de mais-valias. Não é aconselhamento financeiro.
FIRE (Financial Independence, Retire Early) é ter investimentos suficientes para as despesas saírem do rendimento da carteira e não de um salário. O número é simples: despesas anuais no FIRE ÷ taxa de levantamento. Com 1 500 € de despesas por mês e a regra dos 4 %, o valor FIRE é 450 000 € (25 anos de despesas). Quem tem 50 000 € investidos, ganha 24 000 € líquidos por ano e poupa 500 €/mês, a 7 % ao ano, chega lá em cerca de 20 anos (jun 2046) - e já tem 2,8 anos de despesas cobertas.
Em Portugal a conta tem três particularidades: as mais-valias de ETFs e ações pagam 28 % quando vendes (só sobre o ganho, e podes englobar se compensar); a cripto detida há mais de 365 dias está isenta; e o PPR resgatado nas condições legais paga 8 % sobre o rendimento. É por isso que a folha mostra "se liquidasses tudo hoje": o que é teu depois do imposto.
Valor FIRE. As despesas mensais que queres ter no FIRE, menos outros rendimentos que já existam (rendas, pensão), vezes 12, a dividir pela taxa de levantamento (SWR). Com 4 % é o mesmo que multiplicar por 25. O valor "sem imóvel" exclui a casa própria: vives nela, não a gastas.
Coast FIRE. O que a carteira de hoje valeria na idade da reforma se nunca mais investisses nada, ao retorno médio. Se esse valor já cobre o valor FIRE, podes "deixar de acelerar": só precisas de pagar as despesas até lá.
Cobertura. Despesas por mês cobertas hoje = investimentos × SWR ÷ 12. Anos de despesas cobertos = património ÷ despesas anuais de hoje. Progresso = património ÷ valor FIRE.
Poupança. Poupança mensal = (rendimento líquido anual − despesas de hoje × 12) ÷ 12; taxa de poupança = poupança ÷ rendimento. É a variável que mais mexe na data.
Se liquidasses tudo hoje. Mais-valia = valor atual − investido, por produto. ETFs, ações e P2P: 28 %. Cripto: 28 % se detida há menos de 365 dias, isenta acima. PPR: 8 % sobre o rendimento, nas condições de resgate previstas na lei. Depósitos: sem mais-valia (os juros já foram tributados à cabeça).
Data FIRE. Mês a mês: carteira(t+1) = carteira(t) × (1 + retorno/12) + poupança mensal, até a carteira igualar o valor FIRE. A data e a idade nesse mês são a resposta. Se a poupança for zero ou negativa e a carteira não chegar sozinha, a folha diz-te.
o que fica de fora: inflação (usa retorno real e despesas de hoje), sequência de retornos, englobamento, a subida das despesas com filhos ou casa. Para decidir a sério, faz várias versões e guarda o registo todos os meses.
Uma taxa de levantamento anual considerada segura para uma carteira diversificada durar 30 anos ou mais (estudo Trinity, mercado americano). Levantar 4 % por ano equivale a precisar de 25 vezes as despesas anuais. Para reformas mais longas ou carteiras mais conservadoras muita gente usa 3 % a 3,5 % - a folha deixa mudar.
É o ponto em que o que já tens investido, deixado a crescer sem mais contribuições, chega ao valor FIRE na idade da reforma. A partir daí só precisas de ganhar o suficiente para as despesas: a carteira faz o resto sozinha.
À taxa de 28 % sobre o ganho (valor de venda menos valor de compra e custos), com opção de englobamento. Desde 2023, para ativos detidos menos de 365 dias, quem tem rendimento coletável no último escalão é obrigado a englobar. As perdas podem ser compensadas com ganhos no mesmo ano e nos cinco seguintes, se englobares.
As mais-valias de criptoativos detidos há 365 dias ou mais estão isentas de IRS (regime desde 2023). Abaixo de 365 dias pagam 28 %, ou são englobadas. A troca de cripto por cripto não é tributada; a troca por euros ou por bens é.
O PPR dá dedução à coleta de 20 % do investido (até 400 €, 350 € ou 300 € consoante a idade) e, resgatado nas condições legais (reforma, 60 anos, desemprego de longa duração, entre outras), o rendimento paga 8 %. Fora das condições paga 21,5 %, com redução por antiguidade. Aqui usamos os 8 %.
Não para as despesas: a casa não paga contas. A folha mostra o valor FIRE "sem imóvel" para não te enganares com o património total. Conta-a se planeares vendê-la ou arrendá-la no FIRE - e nesse caso põe a renda em "outros rendimentos".
Com retorno real de 5 % e a regra dos 4 %, cerca de 32 anos a partir do zero; com 50 % de poupança, cerca de 17 anos; com 65 %, cerca de 10. A taxa de poupança pesa mais do que o retorno - é por isso que a folha a mostra ao lado da data.
Se pões as despesas de hoje, usa um retorno real (já descontada a inflação): 4 % a 5 % para uma carteira maioritariamente em ETFs mundiais é uma hipótese comum; 7 % é o retorno nominal histórico. Usar 7 % com despesas de hoje dá uma data otimista.